As ditas tilápias e o teu guri

Segunda-feira, 15 de Maio de 2017

Eis que “um milagre” se sucederá em 2017 e finalizarei minha Graduação em Gestão Ambiental. Sem arrefecer (na sequencia) meu entusiasmo, darei início à Pós-Graduação. Já escrevi em outros textos os reais motivos (não preciso repeti-los), que me fizeram adentrar e não completar (pois é...) os outros cursos: História, Psicologia e Administração nessa ordem. Entretanto conheci professores fantásticos e fiz amigos estimados que hoje mantenho contato e vez por outra, nos cruzamos em alguma parte desse maravilhoso Estado do Rio Grande do Sul e logo ali, na magnífica Santa Catarina.

“Ser feliz sem motivo é a mais autêntica forma de felicidade” já dizia o poeta mineiro Carlos Drummond de Andrade (1902-1987). Aprendi isso na prática, entre caminhos e descaminhos, erros e acertos, quando me assumi “outsider,” redesenhando minha própria estrada, me relacionando com pessoas de todas as idades, etnias e extratos sociais, sem preconceitos, em busca de experiências, conhecimento e luz.

Contudo reconheço que o fato de trabalhar com saúde pública por um lado me leva aos extremos, adentrando no íntimo das pessoas, às vezes em seus piores dias, quando estão dilaceradas por dores e perdas. (Despedidas e partidas são momentos de vulnerabilidade sem precedentes.) E fazer trabalhos “free-lancer” para jornais me propicia, entretanto o outro lado da moeda, uma adrenalina incrível. Entrevistar pessoas bacanas, sacanas, descoladas, felizes. Em outras circunstâncias amarguradas, frustradas, insatisfeitas. E em situações especiais: ansiosas e esperançosas de que tudo mais adiante irá mudar para melhor.  Durante esse processo de captar a verdadeira essência, (porque as pessoas às vezes não dizem o que deveriam dizer) preciso “sacar o que ficou no ar,” subentendido nas entrelinhas, desconsiderando meu ponto de vista do assunto e sem julgamento moral de qualquer alçada, etc e tal. (Existem alguns truques e macetes que por ética e amor a essa minha segunda profissão não posso revelar.)

E os outros truques: que também considero chaves mágicas para quem trabalha com saúde pública (minha primeira profissão) na linha de frente e na gestão da saúde pública, porque existe a pressão sufocante, o estresse emocional, a quantidade de informações, a absurda demanda que necessita ser absorvida em tempo recorde, a resolutividade instantânea, as urgências e emergências. (E o triste adoecimento até daqueles profissionais mais qualificados.) O que posso acrescentar? Resiliência? Foco? Fé? Enfim... desejo eterno no coração de “que a Força - Star Wars - esteja com você!”

Contudo como futura Gestora Ambiental vou comentar aqui uma enorme heresia, admitindo que “adoro pescar as ditas e mal faladas tilápias de cativeiro,” porque os ambientalistas no geral torcem o nariz para seu cultivo e não vou entrar em detalhes específicos. Acontece que todos nós temos “nossos pecados particulares.” Também baixo filmes da internet. De vez em quando minto para salvar minha vida, sem prejuízo a terceiros, eu disse salvar a minha vida! Então atire a primeira pedra quem nunca...

Eis que dias atrás um colega sofreu acidente de trânsito: novamente um moleque ordinário (verdadeira urtiga) dirigindo uma camionete importada, quase o transforma em pecinhas de montar da Lego ao cortar-lhe a frente da motocicleta. No sufoco acabei me transformando em babá por 48 horas, porque seu único filhote de 11 anos, vinha da fronteira para passar o final de semana e no hospital se recuperando do infeliz acidente e da raiva do prejuízo material, ficara impossibilitado de recebê-lo.

Pois é sobre as ditas tilápias e o teu guri que escrevo aqui! Que menino incrível, cheio de ideias extraordinárias para tão pouca idade. (E o melhor de tudo... saber que nas férias de verão tenho convite para pescar lá em Itaqui, foi mais que sensacional!) Agora estou “encolhida de remorso” quando “pensei em voz alta como me livrar do moleque” se caso fosse um menino enxaqueca!?! Só que não... Eu tinha um milhão de livros para ler, um milhão de filmes para assistir, um milhão de horas de sono para recuperar e até convites (uau!!!) para jantar fora?!? E precisei cancelar tudinho...

Por coisas do tipo: brincar de Zorro, jogar videogame, imitar o Mick Jaeger e a Shakira no karaokê, fazer pizzas de atum, tocar violão e dançar “Mercedita!” Preciso esclarecer que obviamente isso não despertou meus instintos maternais. Foi apenas “uma sessão terapia” dos Doutores da Alegria! Voltei a ter 16 anos de idade... minto... verdade/verdadeira “bem menos” e também fizemos guerra de travesseiros... Ops!

“Não entendo apenas sinto. Tenho medo de um dia entender e deixar de sentir.” Clarice Lispector (1920-1977), ela disse o que mais eu deveria dizer! Não dá para analisar tudo, entender tudo, procurar explicação para tudo. Às vezes curtir pequenas loucuras é o que conta: o que nos transforma, o que ajuda a nos fortalecer para enfrentar dias amargos, problemas quase insolúveis, obstáculos quase intransponíveis, decepções dilacerantes quando a aspereza do mundo real nos rouba a delicadeza e o carinho de abraços quentinhos. “Estou aqui.” “Pensei em ti.” “Sinto saudade.” “Louco pra te ver.” “Sinto teu cheiro.” Nos rouba o encantamento do amar sem pedir nada em troca! Apaixonar-se! Ou apenas sorrir, sorrir sem motivo aparente. Sorrir de si mesmo!

Régis Mubarak  

Graduanda em Gestão Ambiental – UNOPAR. Especialista Técnica em Gestão Contábil – CNEC, Marketing – SENAC e Saúde Pública PMI/UNASUS 

Pesquisadora AVA SARU em Exobiologia e Tecnologia da Informação 

Escreve para Jornais Impressos na Região Sul e Portais de Notícias da Internet

As opiniões, conceitos e pareceres do autor não refletem necessariamente a linha editorial do NorteRS.

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Categoria: Opinião

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