Superando o câncer de mama

Terça-feira, 17 de Outubro de 2017

Um “carocinho”, um desconforto, uma dor. Foi fazendo o autoexame que Waleska Santana, hoje com 37 anos, descobriu, em 2012, um pequeno nódulo em uma das mamas. Um ato simples, fácil, e que, aliado ao exame clínico e a mamografia, pode salvar vidas. Dia 19 de outubro é o Dia Mundial do Câncer de Mama, data escolhida para conscientização sobre a importância desta doença. Além disso, outubro é o mês das campanhas Outubro Rosa, que têm o mesmo objetivo.

A bancária Waleska Santana descobriu o nódulo em um dos seios em 2012, mas até receber o diagnóstico de câncer de mama, levou quase dois anos. “Fiz o acompanhamento com a ginecologista, todos os exames recomendados, e no final de 2012, o carocinho diminuiu de tamanho. A princípio não era nada grave. Em 2013, senti que ele voltou. Estava maior e dolorido. Fui encaminhada para uma mastologista, fiz todos os exames, mas não acusou nada de grave novamente, mas como estava incomodando, a médica resolveu retirar o nódulo e fazer a biópsia”, contou Waleska.

O resultado da biópsia apontou o câncer de mama. “A biópsia apontou um tumor maligno carcinoma intraductal. Pelo tipo de câncer foi indicado a mastectomia total da mama. Retirei a mama em 2014. Do dia do diagnóstico de câncer pela biópsia até a cirurgia foi um mês. Um mês de preocupação. Em alguns momentos pensei: Por que comigo? Mas eu sempre mantive o pensamento positivo”, revelou a bancária.

A luta contra o câncer de mama trouxe lições importantes para a vida de Waleska, que está engajada na campanha Outubro Rosa desse ano, levando mensagem de superação para outras mulheres que enfrentam ou enfrentaram a doença. “Para as mulheres que estão passando ou passaram por isso eu digo acima de tudo que se ame. Eu acho que é um choque grande, principalmente quando tem que fazer a mastectomia total. Um pedaço do teu corpo deixa de existir, mas mais importante que esse pedaço é o que estará na sua mente. Fé e pensamento positivo são essenciais. O que a gente pensa reflete no corpo”, declara Waleska.

A bancária ressalta ainda que o diagnóstico precoce por meio do autoexame foi essencial para a cura do câncer de mama. “Eu tive a sorte de ter o diagnóstico em fase inicial do câncer. A retirada do nódulo e a mastectomia evitaram que eu tivesse que fazer um tratamento mais agressivo como a quimioterapia e a radioterapia. Nos dois primeiros anos fazia acompanhamento a cada seis meses com a oncologista, exames de sangue e mamografia, por exemplo. Agora faço acompanhamento uma vez por ano e tratamento com medicamento para evitar ter na outra mama”, salienta Waleska.

Quase 350 mortes por câncer de mama na região Norte do RS
Os números referentes à doença revelam a importância do câncer de mama. São cerca de 1,7 milhão de novos diagnósticos a cada ano no mundo, quase 60 mil no Brasil e mais de 5 mil no Rio Grande do Sul. O câncer de mama é responsável por mais de 500 mil mortes por ano no mundo, quase 16 mil no Brasil e mais de 1,2 mil mortes no Estado. Na região Norte, quase 350 pessoas morreram em decorrência desse câncer entre 2013 e 2015, ou seja, mais de 110 mortes por ano. Só em Passo Fundo, nesse mesmo período foram quase 80 mortes, conforme dados do DataSus. Passo Fundo registra 100 novos casos da doença por ano.

Para o oncologista clínico do Centro de Tratamento do Câncer (CTCAN) de Passo Fundo e diretor da Sociedade Brasileira de Oncologia Clínica (SBOC), Alvaro Machado, o câncer de mama é um problema grandioso, bem como os custos do tratamento: custos social, familiar e financeiro. “A informação sobre o câncer de mama é fundamental para enfrentarmos a doença. Sabemos que obesidade, sedentarismo, tabaco, álcool e má alimentação são importantes fatores de risco modificáveis e responsáveis por 20 a 25% dos casos. Hábitos saudáveis de vida são pilares na prevenção e combate ao câncer de mama. Estamos falando em evitar mais que 10 mil casos por ano no Brasil”, comenta o oncologista clínico.

Mamografia e a evolução no tratamento da doença
A mamografia é um dos elementos centrais no combate ao câncer de mama. “Este exame simples, rápido, largamente acessível e com mínimo desconforto, é responsável por reduzir o risco de morte pelo câncer de mama em torno de 20%. A recomendação mais aceita pelos especialistas é que todas as mulheres realizem a mamografia anualmente a partir dos 40 anos. Isto salva vidas e economiza centenas de milhões de reais em tratamentos de alto custo”, ressalta Machado.

A evolução do tratamento reduziu drasticamente a mortalidade pelo câncer de mama. De acordo com o oncologista, o aprimoramento das técnicas cirúrgicas permite tratamentos eficazes e resultados estéticos muito bons, diminuindo sequelas na autoimagem e sexualidade feminina. “Novas tecnologias e técnicas de radioterapia com tratamentos mais curtos mantém a eficácia e reduzem os paraefeitos. A classificação mais precisa dos subtipos de câncer de mama e novos medicamentos trazem a possibilidade de tratamentos mais personalizados, melhorando os resultados e reduzindo toxicidade.  Num futuro próximo estaremos diagnosticando precocemente o câncer de mama num simples exame de sangue. Mas até lá, a mamografia anual precisa ser feita a partir dos 40 anos”, revela o oncologista.

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Categoria: Bem Estar

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