Cooperativas da agricultura familiar avaliam como positivas as ações do Estado

Terça-feira, 09 de Dezembro de 2014

Aos 53 anos, o agricultor Wilson Ferreira Viana, residente na área rural do município de Sertão (RS), investe com entusiasmo na produção de mel e afirma que não troca de atividade, muito menos por outra na cidade. Diz que no último ano a produção foi de 4,5 mil quilos de mel e, por isso, já investiu em mais 150 colméias, com financiamento feito junto ao Pronaf (Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar) no valor de R$ 25 mil. “Alguns anos atrás, não havia comercialização nem políticas de incentivo aos produtores. Hoje, tudo é financiado e a assistência técnica é de graça!” Segundo ele, a produção só aumenta, já falta no mercado, pois tem que abastecer escolas, através do PNAE (Programa Nacional de Alimentação Escolar), e fornecer para o PAA (Programa de Aquisição de Alimentos), ambos do governo federal.
O depoimento de Wilson Viana foi um dos vários apresentados durante o encontro realizado nesta sexta-feira (5), no Hotel Continental, em Porto Alegre, que reuniu representantes de cerca de 150 cooperativas gaúchas, coordenadores das Unidades de Cooperativismo (UCPs) e extensionistas rurais. Eles avaliaram, positivamente, durante todo o dia, as ações em cooperativismo executadas em parceria pela Emater/RS-Ascar, através do Programa de Extensão Cooperativa (PEC), e Secretaria de Desenvolvimento Rural, Pesca e Cooperativismo (SDR), que coordena o PEC. Mesmo com a avaliação positiva, alegam que é preciso mais avanços e continuidade do que está dando bons resultados.
Participaram do encontro, o titular da SDR, Ivar Pavan, o diretor do Departamento de Cooperativismo da SDR, Gervásio Plucinski, o presidente e o diretor técnico da Emater/RS, respectivamente, Lino De David e Gervásio Paulus, e o presidente da União Nacional de Cooperativas da Agricultura Familiar e Economia Solidária (Unicafes), Clamir Balen.
Para o presidente da Emater/RS, Lino De David, a criação de políticas públicas voltadas às cooperativas da agricultura familiar é afirmação desta matriz produtiva no Rio Grande do Sul, que promove o desenvolvimento das pequenas comunidades rurais do Estado. “Estas ações fazem parte de uma concepção de desenvolvimento em que é preciso ter uma articulação entre o papel das organizações, as políticas públicas e o Estado. O cooperativismo da agricultura familiar precisa se estruturar para fazer frente aos desafios que estão impostos”, frisou De David.
Além de destacar as ações do PEC, o secretário Ivar Pavan também ressaltou outras medidas da SDR para auxiliar as cooperativas gaúchas, como a redução de impostos e a isenção de tributos para quem fornece alimentos para compras públicas. “Elegemos o cooperativismo como estratégia para o desenvolvimento da agricultura familiar e é importante que, a partir deste evento, se forme uma estratégia de sustentação dessa política pública”, afirmou Pavan.
Avaliação
Após a abertura do Encontro, representantes das sete UCPs da Emater/RS-Ascar apresentaram um balanço das ações realizadas durante quase quatro anos junto às cooperativas, como atividades de capacitação de associados e técnicos, organização dos empreendimentos, inserção das cooperativas no Programa de Aquisição de Alimentos (PAA) e Programa Nacional de Alimentação Escolar (Pnae), implantação e acompanhamento do Plano de Aprimoramento e articulações com o poder público municipal.
Para a execução do acompanhamento à gestão e ao desenvolvimento das cooperativas proposto pelo PEC, a SDR junto com a Emater/RS-Ascar estruturou, há pouco mais de três anos, sete Unidades de Cooperativismo (UCP), formadas por contadores, administradores, sociólogos, agrônomos, tecnólogos, entre outros. Localizadas em Erechim, Santa Cruz do Sul, Pelotas, Ijuí, Santa Rosa, Porto Alegre e Frederico Westphalen, as UCPs atendem 200 cooperativas de agricultores familiares, totalizando cerca de 45 mil associados. “Avançamos muito nestes três anos, principalmente no que se refere à gestão das cooperativas, mas ainda temos um longo caminho pela frente”, destacou o coordenador das UCP, Célio Colle.
Assim como ele, Marcelo Cotrin, engenheiro agrônomo e coordenador da UCP da região Metropolitana, afirma que estas Unidades vêm ao encontro das políticas públicas implantadas pelo Governo do do Estado. “Para melhorar a gestão das cooperativas, por exemplo, foram detectados seus pontos nevrálgicos e diversas políticas foram implantadas, como a implantação das UCPs, para facilitar o acesso a estas cooperativas. Todo este trabalho só dará mais resultado, se tiver prosseguimento”, alertou Cotrin. Os coordenadores das outras UCPs, também fizeram um balanço positivo das ações nas demais regiões do Estado.
À tarde, o assessor da SDR, Ari De David, apresentou as principais demandas, propostas e reivindicações das cooperativas da agricultura familiar para os próximos anos, levantadas em encontros regionais. Dentre as solicitações, estão abrir novos espaços de mercado, além dos institucionais já existentes (presídios, hospitais e escolas); criar a Secretaria do Cooperativismo, junto ao MDA, para atender ao segmento cooperativista; estabelecer canais de negociação com o novo governador, apresentando propostas e elencando projetos e programas que precisam ser mantidos; e ampliar os espaços de discussão sobre cooperativismo, através de fóruns, grupos de trabalho, seminários e reuniões.
O documento foi entregue a um representante do próximo governo estadual presente ao evento. No final, Ari De David apresentou uma palestra sobre a “Concepção de Cooperativismo” e a direção da Unicafes expôs as suas principais ações e conceitos.

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Categoria: Agronegócios

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