“Chora como mulher o que não soubeste defender como homem!”

Quarta-feira, 28 de Agosto de 2013

Carta assinada por 18 bispos da "Regional Leste I" foi enviada aos deputados e senadores. Nela os prelados lamentam a aprovação da lei do aborto (antigo PLC 3/2013) pela presidente Dilma Rousseff no dia 1º de agosto.

Na missiva, os 18 bispos manifestam: "profunda consternação com o PLC nº 3/2013, e sua sanção, por não estar, realmente a favor da vida, atentando contra um inocente indefeso no ventre materno".

Trata-se de lamentação estéril, pois os bispos não pedem aos deputados e senadores que façam o possível para revogar a nova lei, que abre a porta para prática do aborto no Brasil, e sequer pedem uma mobilização dos fiéis católicos para pressionarem seus representantes no Congresso Nacional exigindo a revogação da referida lei.

Sempre que tomo conhecimento de atitudes estéreis de pessoas que lamentam o arrombamento de uma porta, mas que nada fizeram para deixá-la bem trancada, eu me lembro de um fato histórico que resumo aqui.

Com a conquista da cidade de Granada em 1492, obtida graças à ação enérgica dos Reis Católicos Isabel de Castela e Fernando de Aragão, os muçulmanos foram finalmente expulsos da Espanha, após vários séculos de dominação.

Então, em sua fuga de volta para o Norte da África, o rei mouro Abû'Abd Allâh (conhecido como Boabdil) chorou... Do alto de uma montanha, olhando pela última vez para a espetacular Granada e vendo o magnífico palácio Alhambra no qual vivia luxuosamente, ele se pôs a chorar. Vendo seu filho nessa situação, disse-lhe energicamente sua mãe, a sultana Aixa Fátima: "Llora como mujer lo que no has sabido defender como un hombre!" — Chora como mulher o que não soubeste defender como homem...

Salvo honrosas exceções, os prelados que compõem a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) nada fizeram de sério para evitar que a "porta" do aborto fosse arrombada pela nova lei. Foram raríssimas as vozes de respeitáveis bispos que alertaram para o iminente perigo da aprovação do projeto lei abortista.

Na atual fase da luta contra o aborto, a CNBB — para variar... — não quis agir firmemente. Não quis, por exemplo, ouvir a voz daqueles que firmaram os abaixo-assinados — um dos quais com milhares de assinaturas, entregue diretamente na Cúria Metropolitana do Rio de Janeiro — para que os bispos pedissem ao Papa Francisco, durante sua estadia no Rio, que instasse a presidente Dilma para vetar totalmente o PLC 3/2013. Ao que tudo indica tal pedido não foi feito.

Alguém acha que se o Papa tivesse pedido o veto do projeto, a presidente o teria sancionado? — Certamente não, pois ela não teria ousado contradizê-lo num momento em que as tubas midiáticas estavam colocadas favoravelmente sobre ele.

Mas agora não se trata mais de um projeto, pois a nova lei — sancionada quatro dias após o retorno do Papa a Roma — entrará em vigor 90 dias depois de sua aprovação. Assim, como não recear uma nova "Matança de Inocentes"?

As opiniões, conceitos e pareceres do autor não refletem necessariamente a linha editorial do NorteRS.
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Categoria: Opinião

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